terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
sábado, 21 de fevereiro de 2015
O que é o Arminianismo?
1.O que é o Arminianismo?
A posição de Jacob Armínio (1560-1609) e
seus seguidores – frequentemente conhecidos como remonstrantes – quanto à
graça, o livre-arbítrio, à predestinação e à perseverança dos crentes.
Armínio era um teólogo calvinista holandês que, em todos aqueles pontos
nos quais a tradição reformada diferia da católica ou da luterana,
continuou sendo calvinista. É importante recordar isso, visto que
frequentemente se diz que o arminianismo é o contrário do calvinisrno,
quando na realidade tanto Arrnínio como seus seguidores eram calvinistas
em todos os pontos, exceto nos que debatiam. Além disso, é necessário
notar que o debate envolvia também o interesse de um dos grupos em
sublinhar o calvinismo estrito a fim de salvaguardar a independência
recentemente conquistada do país, enquanto que o outro buscava posições
que tornassem mais fácil para o país comercializar com outros que não
fossem estritamente calvinistas. Em parte, por essa razão, os
calvinistas estritos fundamentavam seus argumentos sobre as Escrituras, e
o princípio da justificação só pela graça, construindo sobre isso um
sistema rigidamente lógico e racional, enquanto seus opositores
desenvolveram argumentos igualmente coerentes fundamentados sobre os
princípios geralmente aceitos da religião – razão pela qual em certo
modo foram precursores do racionalismo.
Armínio envolveu-se em um debate quando
resolveu refutar as opiniões daqueles que rejeitavam a doutrina
calvinista estrita da predestinação. Mas então se convenceu de que eram
eles que tinham razão, e se tornou o principal defensor dessa posição.
Os calvinistas estritos que se opuseram a ele e que mais tarde
condenaram seus ensinamentos eram supralapsarianos. Sustentavam que Deus
havia decretado antes de tudo a eleição de alguns e a reprovação de
outros, e depois havia decretado a queda e suas consequências, de tal
modo que o decreto inicial da eleição e reprovação pudesse ser cumprido.
Também sustentavam que as consequências da queda são tais que toda a
natureza humana está totalmente depravada, e que o decreto da
predestinação é tal que Cristo morreu unicamente pelos eleitos, e não
por toda a humanidade. Em princípio, Armínio tratou de responder a essas
opiniões adotando uma posição infralapsariana; mas logo se convenceu de
que isso não bastava. Criticou então seus adversários argumentando, em
primeiro lugar, que sua discussão dos decretos da predestinação não era
suficientemente cristocêntrica, visto que o verdadeiro grande decreto da
predestinação é aquele “pelo qual Cristo foi destacado por Deus para
ser o salvador, a cabeça e o fundamento daqueles que herdarão a
salvação”; e, em segundo lugar, que a predestinação dos fiéis por parte
de Deus baseia-se em sua presciência de sua fé futura.
Visto que a doutrina da predestinação de
seus opositores se fundamenta na primazia da graça, e de uma graça
irresistivel, Armínio respondeu propondo uma graça “preveniente” ou
“preventiva”, que Deus dá a todos, e que os capacita para aceitar a
graça salvadora se assim decidirem. E, visto que a graça não é
irresistivel, isso implica que é possível um crente, mesmo depois de
haver recebido a graça salvadora, cair dela. Foi contra todas essas
propostas dos arminianos que o Sínodo de Dordrecht, ou de Dort (1618-19)
afirmou os cinco pontos principais do calvinismo estrito, a depravação
total da humanidade, a eleição incondicional, a expiação limitada por
parte de Cristo, a graça irresistivel, e perseverança dos fiéis.
As teorias de Armínio foram adotadas por
vários teólogos de tradição reformada que não estavam dispostos a levar
seu calvinismo às consequências que Dordrecht as havia levado. O mais
destacado entre eles foi João Wesley (1703-91). Entre os batistas
ingleses, aqueles que aceitaram o arminianismo receberam o nome de
“batistas gerais”, porque insistiam que Cristo morreu por todos,
enquanto que aqueles que ensinavam a expiação limitada foram chamados
“batistas particulares”.
Justo L. González, Breve Dicionário de Teologia, p. 46, 47
2.Quem foi Jacob Armínio?
Um teólogo holandês. Arminius nasceu em
Oudewater (18 m. em direção ao leste e nordeste de Roterdã) em 10 de
outubro de 1560 e morreu em Leiden em 19 de outubro de 1609. Após a
morte prematura de seu pai ele foi morar com Rudolphus Snellius,
professor em Marburg. Em 1576 retornou para casa e estudou teologia em
Leiden sob Lambertus Danæus. Aqui ele passou seis anos, até que recebeu
autorização dos burgomestres de Amsterdã para continuar seus estudos em
Genebra e Basel sob Beza e Grynæus. Ele fez preleções sobre a filosofia
de Petrus Ramus e a Epístola aos Romanos. Sendo chamado de volta pelo
governo de Amsterdã, em 1588 ele foi nomeado pregador da congregação
reformada. Durante os quinze anos que passou aqui, ele obteve o respeito
de todos, mas suas concepções sofreram uma mudança. Sua exposição de Rm
7 e 9 e seu pronunciamento sobre a eleição e reprovação foram
considerados ofensas. Seu colega, erudito mas irascível, Petrus Plancius
se opôs a ele em particular. Disputas surgiram no consistório, que
temporariamente foram impedidas pelos burgomestres.
Arminius foi suspeito de heresia porque
considerava o consentimento com os livros simbólicos como não
unificadores e estava pronto a conceder ao Estado mais poder nas
questões eclesiásticas do que os rígidos calvinistas gostariam de
admitir. Quando dois dos professores da Universidade de Leiden, Junius e
Trelcatius, morreram (1602), os administradores chamaram Arminius; e
Franciscus Gomarus, o único professor de teologia vivo, protestou, mas
ficou satisfeito após uma entrevista com Arminius. O último assumiu suas
obrigações em 1603 com um discurso sobre o ofício sumo sacerdotal de
Cristo, e se tornou doutor em teologia. Mas as disputas dogmáticas foram
renovadas quando Arminius realizou palestras públicas sobre a
predestinação. Gomarus se opôs a ele e publicou outras teses. Sucedeu
uma grande agitação na universidade e os estudantes foram divididos em
dois partidos. Os ministros de Leiden e de outros locais participaram da
controvérsia, que se tornou geral. Os calvinistas queriam que a questão
fosse decidida por um sínodo geral, mas os Estados Gerais não queriam
fazê-lo. Oldenbarneveldt, o estadista liberal holandês, deu em 1608 a
ambos os oponentes oportunidade para defender suas opiniões diante da
suprema corte, e o veredicto pronunciado foi que, visto que a
controvérsia não tinha qualquer relação com os pontos principais
relativos à salvação, cada um deveria ser indulgente com o outro. Mas
Gomarus não se renderia. Até os Estados da Holanda tentaram realizar uma
reconciliação entre os dois, e em agosto de 1609, ambos os professores e
quatro ministros foram convidados para fazer novas negociações. As
deliberações foram primeiro mantidas oralmente, sendo depois continuada
por escrito, mas foram encerradas em outubro com a morte de Arminius.
Em suas Disputationes, que foram
parcialmente publicadas durante sua vida, parcialmente após sua morte, e
que incluíam toda a seção de teologia, assim como em alguns discursos e
outros escritos, Arminius clara e diretamente definiu sua posição e
expressou sua convicção. No geral estes escritos são um belo testemunho
de sua erudição e sagacidade. A doutrina da predestinação pertencia aos
ensinos fundamentais da Igreja Reformada; mas a concepção dela afirmada
por Calvino e seus partidários, Arminius não poderia adotar como sua.
Ele não queria seguir um desenvolvimento doutrinário que tornava Deus o
autor do pecado e da condenação dos homens. Ele ensinava a predestinação
condicional e atribuiu mais importância à fé. Ele não negava nem a
onipotência de Deus nem sua livre graça, mas ele considerava que era seu
dever preservar a honra de Deus, e enfatizar, baseado nas claras
expressões da Bíblia, o livre-arbítrio do homem bem como a verdade da
doutrina do pecado. Nestas coisas ele estava mais do lado de Lutero do
que de Calvino e Beza, mas não pode ser negado que ele expressou outras
opiniões que foram vigorosamente contestadas como sendo afastamentos da
confissão e do catecismo. Seus seguidores expressaram suas convicções
nos famosos cinco artigos que eles apresentaram diante dos Estados como
sua justificação. Chamados de remonstrantes, por causa destas Remonstrantiæ, eles sempre se recusaram a ser chamados de arminianos.
H. C. Rogge, em The New Schaff-Herzog Encyclopedia Of Religious Knowledge, Vol I, Editado por Samuel Macauley Jackson
Por John Wesley
(Epworth, Inglaterra, 17 de junho de 1703 — Londres, 2 de março de 1791)
1. Se alguém diz “esse homem é um arminiano”, o
efeito que estas palavras produzem nos ouvintes é o mesmo que se tivesse
dito “esse cão é raivoso”. Sentem pânico e fogem dele a toda
velocidade, e não se deteriam a menos que seja para atirar pedras no
temível e perigoso animal.2. Quanto mais incompreensível é a palavra,
melhor. As pessoas que recebem esta designação não sabem o que fazer:
como não sabem o que quer dizer, não estão em condições de se defenderem
ou de demonstrar que são inocentes das acusações contrárias. Não é
fácil acabar com preconceitos enraizados em pessoas que não sabem outra
coisa, exceto que se trata de “algo muito ruim” ou de algo que
representa “todo o mau”.3. Portanto, esclarecer o significado desta
terminologia pode ser útil para muitos. Aos que com demasiada facilidade
aplicam o termo aos outros, para impedir que utilizem termos cujo
significado desconhecem; aos ouvintes, para que não sejam enganados por
pessoas que não sabem o que dizem; e aqueles que recebem a designação de
“arminianos”, para que saibam como se defender.
4. Em primeiro lugar, creio ser necessário esclarecer que muitos
confundem “arminiano” com “ariano”. Porém, trata-se de algo
completamente diferente; não há semelhança entre um e outro. Um ariano é
alguém que nega a divindade de Cristo. Creio que não há necessidade de
esclarecer que nos referimos a sua filiação com o supremo, eterno Deus,
já que não há outro Deus fora dele (a menos que se decida fazer dois
Deuses: um grande e um pequeno). No entanto, ninguém jamais creu com
maior firmeza, ou afirmou com maior convicção, na divindade de Cristo,
que muitos dos assim chamados arminianos, e assim seguem fazendo até o
dia de hoje. Portanto, o arminianismo (seja o que for) é completamente
diferente do arianismo.
5. A origem da palavra remonta a Jacó Harmens, em latim, Jacobus Arminius, que foi ministro ordenado em Amsterdã e, mais tarde, professor de teologia em Leyden. Tendo estudado em Genebra, em 1591 começou a duvidar dos princípios que lhe haviam ensinado até então. Cada vez mais convencido do erro dos mesmos, quando foi nomeado professor, começou a ensinar e a tornar público o que ele considerava ser a verdade, até falecer em paz no ano de 1609. Poucos anos após a morte de Armínio, alguns fanáticos, liderados pelo Príncipe de Orange, atacaram furiosamente a todos que afirmavam ou consideravam suas ideias. Tendo sido esse modo de pensar formalmente condenado no famoso Sínodo de Dort (menos numeroso e erudito que o Concílio ou Sínodo de Trento, mas tão imparcial como aquele), algumas dessas pessoas foram mortas, outras exiladas, algumas condenadas a prisão perpétua, todos eles perderam seus postos de trabalho e foram proibidos de ocupar qualquer cargo público ou eclesiástico.
6. As acusações apresentadas pelos opositores contra essas pessoas (normalmente chamadas dearminianos) eram cinco: (1) negar o pecado original; (2) negar a justificação pela fé; (3) negar a predestinação absoluta; (4) negar que a graça de Deus é irresistível, e (5) afirmar que é possível que um crente se aparte da graça.
À respeito das primeiras acusações, estas pessoas, se declaram inocentes. As acusações são falsas. Ninguém, nem o próprio João Calvino, afirmou a ideia do pecado original ou da justificação pela fé de maneira mais decisiva, mais clara e explícita que Armínio. Esses pontos estão, por tanto, fora de discussão; há acordo entre ambas as partes. Sobre isso, não há a menor diferença entre o Sr. Wesley e o Sr. Whitefield.
7. No entanto, há uma clara diferença entre os calvinistas e os arminianos em relação aos outros três pontos. Aqui as opiniões se dividem, os primeiros creem em uma predestinação absoluta e os últimos somente numa predestinação condicional. Os calvinistas afirmam que: (1) Deus decretou com caráter absoluto, desde toda a eternidade, que certas pessoas se salvariam e outras não, e que Cristo morreu por elas e por ninguém mais. Os arminianos afirmam que Deus decretou, desde toda a eternidade, tocante a todos que têm sua Palavra escrita, que quem crer será salvo; mas quem não crer, será condenado.[1]Para cumprir isso, Cristo morreu por todos[2], por todos que estavam mortos em seus delitos e pecados[3], ou seja, por todos e cada um dos filhos de Adão, já que em Adão todos morreram[4].
8. Em segundo lugar, os calvinistas afirmam que a graça de Deus que opera para salvação é absolutamente irresistível; que ninguém pode resisti-la assim como não se pode resistir a descarga elétrica de um raio. Os arminianos afirmam que, embora haja momentos em que a graça de Deus atue de maneira irresistível, contudo, geralmente, qualquer pessoa pode resistir (e assim se perder para sempre) a graça mediante a qual Deus desejava outorgar-lhe salvação eterna.
9. Em terceiro lugar, os calvinistas afirmam que um verdadeiro crente em Cristo não pode se apartar da graça. Os arminianos, diferentemente, afirmam que um verdadeiro crente pode naufragar na fé na boa consciência[5]. Creem que o crente não só pode cair novamente na corrupção, mas que essa queda pode ser definitiva, de modo que se perca eternamente.
10. Esses dois últimos pontos, a graça irresistível e a infalibilidade da perseverança, são, sem dúvida, a consequência natural do ponto anterior, a predestinação incondicional. Se Deus decretou com caráter absoluto, desde a eternidade, que só se salvariam determinadas pessoas, isso significa que tais pessoas não podem se opor a sua graça salvífica (pois de outro modo perderiam a salvação), e visto que não podem resistir, tampouco podem se desviar dessa graça. De modo que, finalmente, as três perguntas são reduzidas a uma: A predestinação é absoluta ou condicional? Os arminianos creem que é condicional; os calvinistas, que é absoluta.
11. Acabemos, pois, com toda essa ambiguidade! Acabemos com as expressões que só servem para criar confusão! Que as pessoas sinceras digam o que sintam, e que não se brinque com palavras difíceis cujo significado se desconhece. Como é possível que alguém que não leu uma única página escrita por Armínio saiba quais eram suas ideias? Que ninguém levante a voz contra os arminianos antes de saber o que esta palavra significa, só então saberá que arminianos e calvinistas estão no mesmo nível. Os arminianos tem tanto direito de estar irados com os calvinistas como os calvinistas com os arminianos. João Calvino era um homem estudioso, piedoso e sensato, igual a Jacó Armínio. Muitos calvinistas são pessoas estudiosas, piedosas e sensatas, igual a muitos arminianos. A única diferença é que os primeiros afirmam a doutrina da predestinação absoluta, e os últimos, a predestinação condicional.
5. A origem da palavra remonta a Jacó Harmens, em latim, Jacobus Arminius, que foi ministro ordenado em Amsterdã e, mais tarde, professor de teologia em Leyden. Tendo estudado em Genebra, em 1591 começou a duvidar dos princípios que lhe haviam ensinado até então. Cada vez mais convencido do erro dos mesmos, quando foi nomeado professor, começou a ensinar e a tornar público o que ele considerava ser a verdade, até falecer em paz no ano de 1609. Poucos anos após a morte de Armínio, alguns fanáticos, liderados pelo Príncipe de Orange, atacaram furiosamente a todos que afirmavam ou consideravam suas ideias. Tendo sido esse modo de pensar formalmente condenado no famoso Sínodo de Dort (menos numeroso e erudito que o Concílio ou Sínodo de Trento, mas tão imparcial como aquele), algumas dessas pessoas foram mortas, outras exiladas, algumas condenadas a prisão perpétua, todos eles perderam seus postos de trabalho e foram proibidos de ocupar qualquer cargo público ou eclesiástico.
6. As acusações apresentadas pelos opositores contra essas pessoas (normalmente chamadas dearminianos) eram cinco: (1) negar o pecado original; (2) negar a justificação pela fé; (3) negar a predestinação absoluta; (4) negar que a graça de Deus é irresistível, e (5) afirmar que é possível que um crente se aparte da graça.
À respeito das primeiras acusações, estas pessoas, se declaram inocentes. As acusações são falsas. Ninguém, nem o próprio João Calvino, afirmou a ideia do pecado original ou da justificação pela fé de maneira mais decisiva, mais clara e explícita que Armínio. Esses pontos estão, por tanto, fora de discussão; há acordo entre ambas as partes. Sobre isso, não há a menor diferença entre o Sr. Wesley e o Sr. Whitefield.
7. No entanto, há uma clara diferença entre os calvinistas e os arminianos em relação aos outros três pontos. Aqui as opiniões se dividem, os primeiros creem em uma predestinação absoluta e os últimos somente numa predestinação condicional. Os calvinistas afirmam que: (1) Deus decretou com caráter absoluto, desde toda a eternidade, que certas pessoas se salvariam e outras não, e que Cristo morreu por elas e por ninguém mais. Os arminianos afirmam que Deus decretou, desde toda a eternidade, tocante a todos que têm sua Palavra escrita, que quem crer será salvo; mas quem não crer, será condenado.[1]Para cumprir isso, Cristo morreu por todos[2], por todos que estavam mortos em seus delitos e pecados[3], ou seja, por todos e cada um dos filhos de Adão, já que em Adão todos morreram[4].
8. Em segundo lugar, os calvinistas afirmam que a graça de Deus que opera para salvação é absolutamente irresistível; que ninguém pode resisti-la assim como não se pode resistir a descarga elétrica de um raio. Os arminianos afirmam que, embora haja momentos em que a graça de Deus atue de maneira irresistível, contudo, geralmente, qualquer pessoa pode resistir (e assim se perder para sempre) a graça mediante a qual Deus desejava outorgar-lhe salvação eterna.
9. Em terceiro lugar, os calvinistas afirmam que um verdadeiro crente em Cristo não pode se apartar da graça. Os arminianos, diferentemente, afirmam que um verdadeiro crente pode naufragar na fé na boa consciência[5]. Creem que o crente não só pode cair novamente na corrupção, mas que essa queda pode ser definitiva, de modo que se perca eternamente.
10. Esses dois últimos pontos, a graça irresistível e a infalibilidade da perseverança, são, sem dúvida, a consequência natural do ponto anterior, a predestinação incondicional. Se Deus decretou com caráter absoluto, desde a eternidade, que só se salvariam determinadas pessoas, isso significa que tais pessoas não podem se opor a sua graça salvífica (pois de outro modo perderiam a salvação), e visto que não podem resistir, tampouco podem se desviar dessa graça. De modo que, finalmente, as três perguntas são reduzidas a uma: A predestinação é absoluta ou condicional? Os arminianos creem que é condicional; os calvinistas, que é absoluta.
11. Acabemos, pois, com toda essa ambiguidade! Acabemos com as expressões que só servem para criar confusão! Que as pessoas sinceras digam o que sintam, e que não se brinque com palavras difíceis cujo significado se desconhece. Como é possível que alguém que não leu uma única página escrita por Armínio saiba quais eram suas ideias? Que ninguém levante a voz contra os arminianos antes de saber o que esta palavra significa, só então saberá que arminianos e calvinistas estão no mesmo nível. Os arminianos tem tanto direito de estar irados com os calvinistas como os calvinistas com os arminianos. João Calvino era um homem estudioso, piedoso e sensato, igual a Jacó Armínio. Muitos calvinistas são pessoas estudiosas, piedosas e sensatas, igual a muitos arminianos. A única diferença é que os primeiros afirmam a doutrina da predestinação absoluta, e os últimos, a predestinação condicional.
12. Uma última palavra: Não é dever de todo o pregador arminiano,
primeiramente, nunca utilizar em público ou em privado, a palavra calvinista em
termo de descrédito, tendo em conta que isso equivaleria a por rótulos
ou julgamentos? Tal prática não compatível com o cristianismo nem com o
bom senso ou os bons modos. Em segundo lugar, não deveria fazer tudo o
que está ao seu alcance para impedir que o façam os ouvintes,
demonstrando-lhes que isto é um pecado e uma tolice? Não é, assim mesmo,
dever de todo o pregador calvinista, primeiramente, nunca utilizar em
público ou em privado, a palavra arminianoem termo de
descrédito? E em segundo lugar, não deveria fazer tudo o que está ao seu
alcance para impedir que o façam os ouvintes, demonstrando-lhes que se
trata de um pecado e uma tolice ao mesmo tempo? No caso de já estarem
habituados a fazê-lo, maior empenho e esforço deverá se por para
erradicar essa conduta que, talvez, tenha sido encorajada pelo próprio
exemplo do pregador!
Notas:
[1] Mc 16.16
[2] 2 Co 5.15
[3] Ef 2.1
[4] 1 Co 15.22
[5] 1 Tm 1.19