sábado, 21 de fevereiro de 2015

O que é o Arminianismo?

1.O que é o Arminianismo?

A posição de Jacob Armínio (1560-1609) e seus seguidores – frequentemente conhecidos como remonstrantes – quanto à graça, o livre-arbítrio, à predestinação e à perseverança dos crentes. Armínio era um teólogo calvinista holandês que, em todos aqueles pontos nos quais a tradição reformada diferia da católica ou da luterana, continuou sendo calvinista. É importante recordar isso, visto que frequentemente se diz que o arminianismo é o contrário do calvinisrno, quando na realidade tanto Arrnínio como seus seguidores eram calvinistas em todos os pontos, exceto nos que debatiam. Além disso, é necessário notar que o debate envolvia também o interesse de um dos grupos em sublinhar o calvinismo estrito a fim de salvaguardar a independência recentemente conquistada do país, enquanto que o outro buscava posições que tornassem mais fácil para o país comercializar com outros que não fossem estritamente calvinistas. Em parte, por essa razão, os calvinistas estritos fundamentavam seus argumentos sobre as Escrituras, e o princípio da justificação só pela graça, construindo sobre isso um sistema rigidamente lógico e racional, enquanto seus opositores desenvolveram argumentos igualmente coerentes fundamentados sobre os princípios geralmente aceitos da religião – razão pela qual em certo modo foram precursores do racionalismo.
Armínio envolveu-se em um debate quando resolveu refutar as opiniões daqueles que rejeitavam a doutrina calvinista estrita da predestinação. Mas então se convenceu de que eram eles que tinham razão, e se tornou o principal defensor dessa posição. Os calvinistas estritos que se opuseram a ele e que mais tarde condenaram seus ensinamentos eram supralapsarianos. Sustentavam que Deus havia decretado antes de tudo a eleição de alguns e a reprovação de outros, e depois havia decretado a queda e suas consequências, de tal modo que o decreto inicial da eleição e reprovação pudesse ser cumprido. Também sustentavam que as consequências da queda são tais que toda a natureza humana está totalmente depravada, e que o decreto da predestinação é tal que Cristo morreu unicamente pelos eleitos, e não por toda a humanidade. Em princípio, Armínio tratou de responder a essas opiniões adotando uma posição infralapsariana; mas logo se convenceu de que isso não bastava. Criticou então seus adversários argumentando, em primeiro lugar, que sua discussão dos decretos da predestinação não era suficientemente cristocêntrica, visto que o verdadeiro grande decreto da predestinação é aquele “pelo qual Cristo foi destacado por Deus para ser o salvador, a cabeça e o fundamento daqueles que herdarão a salvação”; e, em segundo lugar, que a predestinação dos fiéis por parte de Deus baseia-se em sua presciência de sua fé futura.
Visto que a doutrina da predestinação de seus opositores se fundamenta na primazia da graça, e de uma graça irresistivel, Armínio respondeu propondo uma graça “preveniente” ou “preventiva”, que Deus dá a todos, e que os capacita para aceitar a graça salvadora se assim decidirem. E, visto que a graça não é irresistivel, isso implica que é possível um crente, mesmo depois de haver recebido a graça salvadora, cair dela. Foi contra todas essas propostas dos arminianos que o Sínodo de Dordrecht, ou de Dort (1618-19) afirmou os cinco pontos principais do calvinismo estrito, a depravação total da humanidade, a eleição incondicional, a expiação limitada por parte de Cristo, a graça irresistivel, e perseverança dos fiéis.
As teorias de Armínio foram adotadas por vários teólogos de tradição reformada que não estavam dispostos a levar seu calvinismo às consequências que Dordrecht as havia levado. O mais destacado entre eles foi João Wesley (1703-91). Entre os batistas ingleses, aqueles que aceitaram o arminianismo receberam o nome de “batistas gerais”, porque insistiam que Cristo morreu por todos, enquanto que aqueles que ensinavam a expiação limitada foram chamados “batistas particulares”.
Justo L. González, Breve Dicionário de Teologia, p. 46, 47

2.Quem foi Jacob Armínio?

Um teólogo holandês. Arminius nasceu em Oudewater (18 m. em direção ao leste e nordeste de Roterdã) em 10 de outubro de 1560 e morreu em Leiden em 19 de outubro de 1609. Após a morte prematura de seu pai ele foi morar com Rudolphus Snellius, professor em Marburg. Em 1576 retornou para casa e estudou teologia em Leiden sob Lambertus Danæus. Aqui ele passou seis anos, até que recebeu autorização dos burgomestres de Amsterdã para continuar seus estudos em Genebra e Basel sob Beza e Grynæus. Ele fez preleções sobre a filosofia de Petrus Ramus e a Epístola aos Romanos. Sendo chamado de volta pelo governo de Amsterdã, em 1588 ele foi nomeado pregador da congregação reformada. Durante os quinze anos que passou aqui, ele obteve o respeito de todos, mas suas concepções sofreram uma mudança. Sua exposição de Rm 7 e 9 e seu pronunciamento sobre a eleição e reprovação foram considerados ofensas. Seu colega, erudito mas irascível, Petrus Plancius se opôs a ele em particular. Disputas surgiram no consistório, que temporariamente foram impedidas pelos burgomestres.
Arminius foi suspeito de heresia porque considerava o consentimento com os livros simbólicos como não unificadores e estava pronto a conceder ao Estado mais poder nas questões eclesiásticas do que os rígidos calvinistas gostariam de admitir. Quando dois dos professores da Universidade de Leiden, Junius e Trelcatius, morreram (1602), os administradores chamaram Arminius; e Franciscus Gomarus, o único professor de teologia vivo, protestou, mas ficou satisfeito após uma entrevista com Arminius. O último assumiu suas obrigações em 1603 com um discurso sobre o ofício sumo sacerdotal de Cristo, e se tornou doutor em teologia. Mas as disputas dogmáticas foram renovadas quando Arminius realizou palestras públicas sobre a predestinação. Gomarus se opôs a ele e publicou outras teses. Sucedeu uma grande agitação na universidade e os estudantes foram divididos em dois partidos. Os ministros de Leiden e de outros locais participaram da controvérsia, que se tornou geral. Os calvinistas queriam que a questão fosse decidida por um sínodo geral, mas os Estados Gerais não queriam fazê-lo. Oldenbarneveldt, o estadista liberal holandês, deu em 1608 a ambos os oponentes oportunidade para defender suas opiniões diante da suprema corte, e o veredicto pronunciado foi que, visto que a controvérsia não tinha qualquer relação com os pontos principais relativos à salvação, cada um deveria ser indulgente com o outro. Mas Gomarus não se renderia. Até os Estados da Holanda tentaram realizar uma reconciliação entre os dois, e em agosto de 1609, ambos os professores e quatro ministros foram convidados para fazer novas negociações. As deliberações foram primeiro mantidas oralmente, sendo depois continuada por escrito, mas foram encerradas em outubro com a morte de Arminius.
Em suas Disputationes, que foram parcialmente publicadas durante sua vida, parcialmente após sua morte, e que incluíam toda a seção de teologia, assim como em alguns discursos e outros escritos, Arminius clara e diretamente definiu sua posição e expressou sua convicção. No geral estes escritos são um belo testemunho de sua erudição e sagacidade. A doutrina da predestinação pertencia aos ensinos fundamentais da Igreja Reformada; mas a concepção dela afirmada por Calvino e seus partidários, Arminius não poderia adotar como sua. Ele não queria seguir um desenvolvimento doutrinário que tornava Deus o autor do pecado e da condenação dos homens. Ele ensinava a predestinação condicional e atribuiu mais importância à fé. Ele não negava nem a onipotência de Deus nem sua livre graça, mas ele considerava que era seu dever preservar a honra de Deus, e enfatizar, baseado nas claras expressões da Bíblia, o livre-arbítrio do homem bem como a verdade da doutrina do pecado. Nestas coisas ele estava mais do lado de Lutero do que de Calvino e Beza, mas não pode ser negado que ele expressou outras opiniões que foram vigorosamente contestadas como sendo afastamentos da confissão e do catecismo. Seus seguidores expressaram suas convicções nos famosos cinco artigos que eles apresentaram diante dos Estados como sua justificação. Chamados de remonstrantes, por causa destas Remonstrantiæ, eles sempre se recusaram a ser chamados de arminianos.
H. C. Rogge, em The New Schaff-Herzog Encyclopedia Of Religious Knowledge, Vol I, Editado por Samuel Macauley Jackson

O que é um arminiano?
Por John Wesley
(Epworth, Inglaterra, 17 de junho de 1703 — Londres, 2 de março de 1791)


1. Se alguém diz “esse homem é um arminiano”, o efeito que estas palavras produzem nos ouvintes é o mesmo que se tivesse dito “esse cão é raivoso”. Sentem pânico e fogem dele a toda velocidade, e não se deteriam a menos que seja para atirar pedras no temível e perigoso animal.2. Quanto mais incompreensível é a palavra, melhor. As pessoas que recebem esta designação não sabem o que fazer: como não sabem o que quer dizer, não estão em condições de se defenderem ou de demonstrar que são inocentes das acusações contrárias. Não é fácil acabar com preconceitos enraizados em pessoas que não sabem outra coisa, exceto que se trata de “algo muito ruim” ou de algo que representa “todo o mau”.3. Portanto, esclarecer o significado desta terminologia pode ser útil para muitos. Aos que com demasiada facilidade aplicam o termo aos outros, para impedir que utilizem termos cujo significado desconhecem; aos ouvintes, para que não sejam enganados por pessoas que não sabem o que dizem; e aqueles que recebem a designação de “arminianos”, para que saibam como se defender. 4. Em primeiro lugar, creio ser necessário esclarecer que muitos confundem “arminiano” com “ariano”. Porém, trata-se de algo completamente diferente; não há semelhança entre um e outro. Um ariano é alguém que nega a divindade de Cristo. Creio que não há necessidade de esclarecer que nos referimos a sua filiação com o supremo, eterno Deus, já que não há outro Deus fora dele (a menos que se decida fazer dois Deuses: um grande e um pequeno). No entanto, ninguém jamais creu com maior firmeza, ou afirmou com maior convicção, na divindade de Cristo, que muitos dos assim chamados arminianos, e assim seguem fazendo até o dia de hoje. Portanto, o arminianismo (seja o que for) é completamente diferente do arianismo.
5. A origem da palavra remonta a Jacó Harmens, em latim, Jacobus Arminius, que foi ministro ordenado em Amsterdã e, mais tarde, professor de teologia em Leyden. Tendo estudado em Genebra, em 1591 começou a duvidar dos princípios que lhe haviam ensinado até então. Cada vez mais convencido do erro dos mesmos, quando foi nomeado professor, começou a ensinar e a tornar público o que ele considerava ser a verdade, até falecer em paz no ano de 1609. Poucos anos após a morte de Armínio, alguns fanáticos, liderados pelo Príncipe de Orange, atacaram furiosamente a todos que afirmavam ou consideravam suas ideias. Tendo sido esse modo de pensar formalmente condenado no famoso Sínodo de Dort (menos numeroso e erudito que o Concílio ou Sínodo de Trento, mas tão imparcial como aquele), algumas dessas pessoas foram mortas, outras exiladas, algumas condenadas a prisão perpétua, todos eles perderam seus postos de trabalho e foram proibidos de ocupar qualquer cargo público ou eclesiástico.
6. As acusações apresentadas pelos opositores contra essas pessoas (normalmente chamadas dearminianos) eram cinco: (1) negar o pecado original; (2) negar a justificação pela fé; (3) negar a predestinação absoluta; (4) negar que a graça de Deus é irresistível, e (5) afirmar que é possível que um crente se aparte da graça.
À respeito das primeiras acusações, estas pessoas, se declaram inocentes. As acusações são falsas. Ninguém, nem o próprio João Calvino, afirmou a ideia do pecado original ou da justificação pela fé de maneira mais decisiva, mais clara e explícita que Armínio. Esses pontos estão, por tanto, fora de discussão; há acordo entre ambas as partes. Sobre isso, não há a menor diferença entre o Sr. Wesley e o Sr. Whitefield.
7. No entanto, há uma clara diferença entre os calvinistas e os arminianos em relação aos outros três pontos. Aqui as opiniões se dividem, os primeiros creem em uma predestinação absoluta e os últimos somente numa predestinação condicional. Os calvinistas afirmam que: (1) Deus decretou com caráter absoluto, desde toda a eternidade, que certas pessoas se salvariam e outras não, e que Cristo morreu por elas e por ninguém mais. Os arminianos afirmam que Deus decretou, desde toda a eternidade, tocante a todos que têm sua Palavra escrita, que quem crer será salvo; mas quem não crer, será condenado.[1]Para cumprir isso, Cristo morreu por todos[2], por todos que estavam mortos em seus delitos e pecados[3], ou seja, por todos e cada um dos filhos de Adão, já que em Adão todos morreram[4].
8. Em segundo lugar, os calvinistas afirmam que a graça de Deus que opera para salvação é absolutamente irresistível; que ninguém pode resisti-la assim como não se pode resistir a descarga elétrica de um raio. Os arminianos afirmam que, embora haja momentos em que a graça de Deus atue de maneira irresistível, contudo, geralmente, qualquer pessoa pode resistir (e assim se perder para sempre) a graça mediante a qual Deus desejava outorgar-lhe salvação eterna.
9. Em terceiro lugar, os calvinistas afirmam que um verdadeiro crente em Cristo não pode se apartar da graça. Os arminianos, diferentemente, afirmam que um verdadeiro crente pode naufragar na fé na boa consciência[5]. Creem que o crente não só pode cair novamente na corrupção, mas que essa queda pode ser definitiva, de modo que se perca eternamente.
10. Esses dois últimos pontos, a graça irresistível e a infalibilidade da perseverança, são, sem dúvida, a consequência natural do ponto anterior, a predestinação incondicional. Se Deus decretou com caráter absoluto, desde a eternidade, que só se salvariam determinadas pessoas, isso significa que tais pessoas não podem se opor a sua graça salvífica (pois de outro modo perderiam a salvação), e visto que não podem resistir, tampouco podem se desviar dessa graça. De modo que, finalmente, as três perguntas são reduzidas a uma: A predestinação é absoluta ou condicional? Os arminianos creem que é condicional; os calvinistas, que é absoluta.
11. Acabemos, pois, com toda essa ambiguidade! Acabemos com as expressões que só servem para criar confusão! Que as pessoas sinceras digam o que sintam, e que não se brinque com palavras difíceis cujo significado se desconhece. Como é possível que alguém que não leu uma única página escrita por Armínio saiba quais eram suas ideias? Que ninguém levante a voz contra os arminianos antes de saber o que esta palavra significa, só então saberá que arminianos e calvinistas estão no mesmo nível. Os arminianos tem tanto direito de estar irados com os calvinistas como os calvinistas com os arminianos. João Calvino era um homem estudioso, piedoso e sensato, igual a Jacó Armínio. Muitos calvinistas são pessoas estudiosas, piedosas e sensatas, igual a muitos arminianos. A única diferença é que os primeiros afirmam a doutrina da predestinação absoluta, e os últimos, a predestinação condicional.
12. Uma última palavra: Não é dever de todo o pregador arminiano, primeiramente, nunca utilizar em público ou em privado, a palavra calvinista em termo de descrédito, tendo em conta que isso equivaleria a por rótulos ou julgamentos? Tal prática não compatível com o cristianismo nem com o bom senso ou os bons modos. Em segundo lugar, não deveria fazer tudo o que está ao seu alcance para impedir que o façam os ouvintes, demonstrando-lhes que isto é um pecado e uma tolice? Não é, assim mesmo, dever de todo o pregador calvinista, primeiramente, nunca utilizar em público ou em privado, a palavra arminianoem termo de descrédito? E em segundo lugar, não deveria fazer tudo o que está ao seu alcance para impedir que o façam os ouvintes, demonstrando-lhes que se trata de um pecado e uma tolice ao mesmo tempo? No caso de já estarem habituados a fazê-lo, maior empenho e esforço deverá se por para erradicar essa conduta que, talvez, tenha sido encorajada pelo próprio exemplo do pregador!

Notas:
[1] Mc 16.16
[2] 2 Co 5.15
[3] Ef 2.1
[4] 1 Co 15.22
[5] 1 Tm 1.19

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Controvérsias a respeito do Reino de Deus



(autor: Bispo José Ildo Swartele de Mello)
Enquanto as discussões das questões tribulacionistas são bem recentes, em termos da história da Igreja, o debate em torno das questões milenistas remonta aos primórdios da Igreja. É antigo o debate entre premilenistas históricos, amilenistas e pós-milenistas. Mas, recentemente, em meados do século XIX, surge um tipo diferenciado de premilenismo, conhecido como premilenismo dispensacionalista, que é pré-tribulacionista e que faz uma rígida distinção entre Igreja e Israel, o que dará ao seu conceito de milênio um cunho bem judaico, de acordo com seu sistema literalista de interpretação. É bom que se diferencie entre premilenista histórico e dispensacionalista para não incorrer em injustiça. A crítica maior deste trabalho se dirige ao premilenismo dispensacionalista, pois reconhecemos as seguintes virtudes no premilenismo histórico: (1) Deus tem apenas um povo, e não dois povos separados, Israel e Igreja, com dois destinos distintos; (2) o Reino de Deus é tanto presente quanto futuro; (3) a Igreja passa pela Grande Tribulação; (4) a Segunda Vinda de Cristo é um evento único e visível a todos, ocasião em que se dá o arrebatamento da Igreja; (5) os sinais dos tempos têm se manifestado desde a primeira vinda de Cristo, mas irão se intensificar à medida que nos aproximamos do dia da sua Segunda Vinda.i Entretanto, existem pontos em comuns entre os premilenistas históricos e dispensacionalistas que estaremos questionando a seguir. Mas, antes, veja a tabela comparativa entre os distintos pontos de vista mais conhecidos sobre o Reino de Deus:
Tabela 3 Comparativa – Questões Milenistas
AmilenismoPós-Mile­nismoPremile­nismo Histó­rico
Premilenismo
Dispensacionalista
Povo de DeusUm UmUm
Dois. Distinção rígida entre Igreja e Israel, com dois planos e destinos distintos...
Gde. Trib.
Pós-tribulacionismo
Pós-tribulacionismo
Pós-tribulacionismo
Pré-tribulacionismo
Gde. Trib.
Período tempo inde­terminado
antes 2a vinda
Período in­determi­nado
antes 2a vinda
Período tempo inde­ter­minado
antes 2a vinda
7 anos de duração –
após ar­reba­tamento
2a Vindaúnica faseúnica faseúnica faseduas fases
2a Vindavisível em glória visível em gló­riavisível em glória
Arrebatamento se­creto (1a. fase)
2a Vinda
Fim da opor­tu­ni­dade de Salvação
Fim da opor­tu­ni­dade de sal­vação
Fim da oportu­ni­dade de sal­va­ção
Pessoas são sal­vas após o arre­bata­mento durante o período da Gde. Tribul.
2a Vinda
p/juízo final novos céus e terra
p/juízo fi­nal novos céus e terra
p/milênio; ju­ízo final e novos céus e terra
p/ livrar a Igreja da gde tribu­lação (1ª. Fase)
p/milênio; ju­ízo fi­nal e no­vos céus e terra (2ª. Fase)
Reino de Deus
  • Já e ainda não”.
  • Nenhum reino Milenar nem no presente nem no futuro
  • Realismo em relação à natureza do Reino no presente.
  • Reino futuro de dimensão celestial e eterna.
  • Já e ainda não” com ênfase no já.
  • Milênio na Terra na era presente.
  • Otimismo em relação ao Reino de Deus na era presente. Se bem que existem pós-milenistas realistas.
  • Reino futuro de dimensão celestial e eterna.
  • Já e ainda não” com ênfase no “ainda não”. Milênio na terra após 2ª. Vinda.
  • Pessimismo em relação ao Reino de Deus na era presente.
  • Reino milenar futuro na terra antes do juízo final e do reino eterno e celestial
  • Ainda não”. Reino adiado para o futuro.
  • Pessimismo total em relação ao Reino de Deus na era presente.
  • Reino milenar futuro com características predominantemente judaicas antes do juízo final e do reino eterno e celestial.
Ressurreição
Única E Ge­ral
P/Juízo Fi­nal

Única E Ge­ral P/Juízo Fi­nal
Duas: (1) dos salvos an­tes do Mi­lê­nio e (2) dos demais após Mi­lê­nio P/Juízo Final
Três: (1) dos salvos no Arrebata­mento, (2) dos crentes mortos na Gde. Trib. na 2ª. Vinda an­tes Do Mi­lê­nio e (3) dos infiéis após O Milênio P/Juízo Final
Juízo
Um único Julgamento Geral e final após a 2ª. Vinda.
Um único Julga­mento Ge­ral e final após a 2ª. Vinda.
Dois Julga­mentos: Dos crentes na Segunda Vinda e Juízo final após o milênio.
Três Julgamentos: Dos crentes no arrebatamento, dos demais crentes na 2ª. Etapa da 2ª. Vinda, e Juízo final após o milênio.
Começaremos levantando algumas objeções ao conceito premilenista, apresentando também uma interpretação de Apocalipse 20, único texto que menciona um Reino Milenar, à luz dos claros ensinos bíblicos a respeito do Reino de Deus. Veremos como a Natureza do Reino de Deus está intimamente associada à natureza e a Missão de Cristo e do Espírito Santo. Este capítulo servirá de base para o capítulo seguinte que tratará da missão da Igreja, que, como Corpo de Cristo que é, se apresentará como uma derivação natural da Missão de Cristo e do Espírito.

Para saber mais a respeito sugiro a leitura do estudo: O Milênio Apocalíptico

i Hoekema, Anthony. A Bíblia e o Futuro. Tradutor Karl H. Kepler. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2.ed. 2001, P. 217.
ii Hoekema, Anthony. A Bíblia e o Futuro. Tradutor Karl H. Kepler. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2.ed. 2001, P. 218 e 219.
iii Hoekema, Anthony. A Bíblia e o Futuro. Tradutor Karl H. Kepler. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2.ed. 2001, P. 219.
 
 
http://escatologiacrista.blogspot.com.br/2008/02/questes-respeito-do-milnio.html

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Lendo histórico-socialmente textos bíblicos

Lendo histórico-socialmente textos bíblicos
Osvaldo Luiz Ribeiro
FONTE: www.ouviroevento.pro.br
(esquema gráfico de Hudson Pereira da Silva)

O jogo que jogo, quando leio textos bíblicos, é o jogo "hermenêutico" histórico-social. Há outros jogos que podem ser jogados, quando o assunto é textos. O jogo do direito, por exemplo, ou o da literatura. O jogo que jogo é o da história. Meu jogo é exegético. Faço exegese. Que é alguma coisa entre ler e fazer arqueologia.

Imaginei um desenho, e o fiz no quadro-branco. Queria apresentá-lo aqui, na Internet, e pedi ao meu (então) aluno, Hudson, do Seminário do Sul, que desenhasse pra mim. Expliquei. Ele ouviu atentamente. E fez pra mim. O desenho é o seguinte.

No passado, o EVENTO. Alguém escreve um texto para o usar como instrumento de intervenção social, aplicando-o a outro alguém. Lá, o texto queria dizer uma e apenas uma coisa. Queria fazer uma e uma única coisa.


Desde o passado, na condição de vestígio desse passado, uma narrativa chega até as mãos do exegeta. É tudo que ele tem: uma narrativa. Sua missão "impossível": converter em texto a narrativa que tem nas mãos. Levá-la de volta até lá, o passado dela, até aquele dia, aquele, e não outro. Ressuscitar os mortos, e fazer com que vivam, de novo, aquele momento. Isso é exegese histórico-social. A exegese é exumação de cadáveres.

Passo a explicar o desenho, e, explicando-o, a dizer o que considero exegese - exegese histórico-social.

A exegese lê textos. No meu caso, textos bíblicos. Particularmente, textos do Antigo Testamento. Os textos que a exegese lê são pedaços do passado. E o são em diferentes sentidos. Os textos são pedaços de todos os passados em que foram instrumentalizados político-socialmente, teológico-religiosamente, quando foram lidos, usados, quando fizeram história. Eu até posso interessar-me, por exemplo, pela "história dos efeitos" de um texto, pela "história da recepção" de uma determinada narrativa bíblica. Por exemplo, pode ser estudada a história da interpretação de Gênesis 3, ou, cito aleatoriamente, a parábola do grão de trigo, ou a narrativa do Servo Sofredor. Não chamaria isso propriamente de exegese. Nem mesmo diria tratar-se, essa abordagem, necessariamente de um "capítulo" da exegese. Não apostaria muito na hipótese de que a história dos efeitos de uma passagem bíblica tenha algo a me dizer sobre o sentido original dessa passagem. É verdade que um exercício assim é indispensável para que seja descoberto o momento em que determinada interpretação dessa passagem nasceu: quando foi, por exemplo, que o Servo Sofredor "virou" Jesus de Nazaré. Mas essa descoberta dirá algo muito mais de "mim", que interpreto desse jeito, do que do texto e de sua interpretação original. Concederia a essa atividade heurístico-epistemológica um papel propedêutico da formação do pesquisador - a saber: dar-se conta de que as interpretações sucessivas de um texto sobredeterminam-se ao próprio texto, e corre-se o risco de que estas últimas acabem sendo tomadas por aquele.

Outro sentido para textos como pedaços do passado é aquele que o considera um vestígio histórico, um indício, no sentido em que Carlo Ginzburg usa a palavra "indício", em Mitos, Emblemas e Sinais. Refiro-me aqui ao momento de produção do texto. É a esse momento que procuro dar toda a minha atenção. A exegese que faço é histórico-social por isso: porque ela está metodologicamente interessada, apenas, no sentido com que o texto foi "armado", "amarrado", "articulado", "tecido", "tramado". Os sentidos com que ele foi revestido, lido, instrumentalizado, depois daquele momento inicial, não me interessam, quando faço exegese.

Falo daquele momento original. Textos não são fungos. Não nascem ao pé de árvores, sob troncos podres, nas tundras, nas paredes úmidas. Textos são criações culturais, humanas, intencionais. Se é humano, é intencional. Não há ato humano que não seja intencional. Intencional, não é, contudo, "genial". Pode ser, também, "genial" - e há textos "geniais" no Antigo Testamento. Qualquer pressuposto de que lidamos com mentes primitivas aí é absolutamente baseado em outros pressupostos absolutamente infundados. Sendo até também geniais, são, contudo, culturais, isto é, nascem no cadinho da cultura. Mas não são frutos dela. Articulam-se nela, com ela, a partir dela, na, da e pela forja pragmática do condicionamento histórico-social. Mas não é a cultura que age: são agentes humanos os que agem, práxicos, pragmáticos, ideologicamente despertos, é verdade, mas agentes. Mesmo quando "pacientes", são agentes. Os textos que produzem são produzidos, porque são tomados como necessários. Para além de seu contingenciamento antropológico-cultural, os agentes humanos vivem sob o esforço de ruptura da placenta noológica da cultura. E a rompem, eventualmente. E é por isso que há cultura.

Os textos, portanto, nascendo no passado, já existem sob perspectiva. É o agente operador do texto, chame-se tal agente de "escritor", "autor", "redator", quem articula o eixo hermenêutico a partir do qual palavras e frases serão contextualizadas, enfileiradas em correição, cada uma delas, e todas, caminhando, obedientes, sob o eixo sintático-pragmático-programático premeditado pela consciência operativa desse agente-escritor. No texto, nenhuma palavra tem vida própria. A vida dela, ali, então, assim, depende do eixo hermenêutico (ideológico, teleológico, pragmático) com que ela, a palavra, ela, a frase, ela, a oração, ela, a estrutura, foi aprisionada na fala articulada e fechada do discurso histórico-social. Claro, esse texto, depois, pode virar, ele mesmo, verbete de um dicionário literário, e sofrer, ele mesmo, multi-perspectivação, ser aberto por multi-referências hermenêuticas, múltiplas chaves de leitura. Nada muda. Esse texto, lá, naquele tempo, quando escrito, foi escrito para dizer o que tinha que dizer, isto é, dizer aquilo para o que foi trazido à luz, isto é, dizer aquilo que o agente operador do discurso textual tem em mente dizer, e diz, e fazer, e faz, e faz, dizendo, e diz, fazendo.

Principalmente naquele tempo, tempo não de leitores, mas de leituras, e públicas, a intenção do agente articulador do discurso alcançava-se não apenas na escrituração do texto, mas na sua instrumentalização ideológica, pragmática, em contexto retórico. As leituras operativas davam-se como parte teleológica da intenção do escritor. Não era apenas escrever o texto, que ninguém o lerá (salvo exceções). É escrevê-lo, e lê-lo para seus destinatários, e fazer dessa leitura a aplicação pragmática da ideologia que o inspira, da teleologia que o determina.

Uma tal noção de "texto", já se vê, está numa dimensão para além da literatura. Eu diria que ela, a noção, na verdade, proposta de trabalho, pressuposto metodológico, compõe-se sob o conceito de "complexidade" (cf. Edgar Morin). O sentido desse texto, assim tomado, não está na "narrativa", mas na relação perspectivista e instrumentalizadora entre a intenção do agente operador e o aprisionamento sintático-narrativo de palavras, frases e orações. Nesse momento, se você descarta a intenção do agente operador, o "texto" se dissolve. O que sobra é, apenas, uma "narrativa". Multi-referenciada, isto é, aberta, acessada, lida, a partir de qualquer outro eixo referencial - e não há leitura sem eixo referencial -, assume qualquer outro "sentido", que, mais uma vez, não está na "narrativa", mas na articulação referencial de uma intencionalidade operativa, pragmática, seja estética (literatura) ou retórica (jurídica). Textos têm sentido? Não. Textos ganham sentido. Primeiro, pelo seu "autor", que, no contexto específico do Antigo Testamento, que tenho estudado dedicadamente, e, assumiria, do Novo Testamento, que tenho investigado menos dedicadamente, e, arriscaria, durante longo período histórico (eu diria, até a "invenção" da leitura pessoal como prática cultural), era garantido pela performance retórica do próprio agente operador da leitura, ou pelo aparelho operador subordinado. Depois, por todos os leitores que, apoderando-se da "narrativa", fazem, cada vez, a sempre mesma pergunta do eunuco de Atos: esse texto, de que(m) fala ele?, pergunta que deve ser respondida, e será, seja pelo próprio leitor, seja por alguma instância heterônoma (explícita ou implícita).

Quando leio textos do Antigo Testamento, tento lê-los, revivendo o seu autor. Mas não só ele, porque o autor não delira para as estrelas, mas escreve para pessoas concretas. O texto é instrumento de intervenção social, já disse antes. Sinto-me obrigado, e é imperioso, a ressuscitar os destinatários do operador do texto. Não é apenas quem diz, mas para quem. E, aí, não há como fugir: e disse, por quê? E para quê? E mais: a partir de quê? Como esse agente operador lida com a tradição a partir da qual ele fala? Como se posiciona, ideologicamente, diante de seus destinatários? Está do lado deles, e têm, juntos, um referencial positivo ou negativo comum? Sonham juntos, ou lutam juntos, ou sofrem juntos? Ou, não, antes, coloca-se como adversário de seus destinatários, conquistador deles, senhor de suas vontades, vidas e corpos? Ainda, nem uma coisa nem outra, defende-se deles? A relação entre o autor-operador do texto e os seus destinatários pode ser variadíssima dentro dessas três possibilidades - convivência eco-simbiótica, retórica quiriarcal, retórica de resistência.

Menciono os elementos que estão presentes, às vezes todos, às vezes alguns dentre eles, no momento da criação-operação do texto.

1. autor, autora, autores ou autoras, porque a autoria pode ser também comunitária, sim. E feminina? Também.

2. a própria narrativa, que, abstraída desse momento criador-operador, é mera narrativa, mas, nele, é texto, carregado de pragmática e teleologia.

3. o destinatário, a destinatária, os destinatários ou as destinatárias. Nesse caso, podem ser cruzadas todas as possibilidades entre os elementos do primeiro e deste conjuntos.

4. o contexto pragmático. A esse, eu chamo de EVENTO. O nome de minha página é um tributo e esse momento histórico, e à minha postura exegética fundamental. EVENTO é o contexto global, completo, o cenário dentro do qual agem e operam todos os outros elementos constitutivos de EVENTO, enquanto categoria teórico-metodológico exegética.

5. a percepção que o agente operador do texto tem do momento - do EVENTO.

6. a decisão de intervir no EVENTO. Onipresente. Sem esse elemento, o texto não nasceria jamais. O que faz do sujeito histórico-social um autor-operador de textos é a sua decisão histórico-social de intervir no evento histórico - para o que produz seu instrumento de intervenção social, Sua Excelência, o Texto.

7. a tradição comum aos dois elementos práxicos-operativos do evento ("autor" e "destinatário"), que constitui tanto uma caixa de disponibilidades retóricas, peças operacionalizáveis da memória cultural, quanto uma força coercitiva. A relação dos agente operadores do evento, no evento, é complexa, seja entre si, seja com a tradição. Há tanto submissão, quanto enfrentamento. Há tanto determinismo, quanto liberdade.

8. a intenção autoral, mais do que um pensamento, um projeto. A intenção presente no texto é o equivalente, complexo, antropológico, do movimento de uma peça no tabuleiro de xadrez: o jogador estende a mão, toma a peça e, a partir de seu projeto maior de ganhar o jogo, move, aqui, agora, essa peça, cujo movimento só faz sentido tanto internamente ao jogo (cavalo anda em L), quanto fora dele, isto é, na estratégia de vitória planejada pelo enxadrista. Quando digo que um texto tem intenção, não estou dizendo que um pedaço da mente do escritor está ali, colada, dormindo. O que eu digo é que uma estratégia de intervenção está, ainda, estruturando a sintaxe da narrativa, porque é ela que faz da narrativa, texto, isto é, é ela que mantém a narrativa sempre instalada em seu momento genésico. A pragmática que pariu o texto ainda está lá. Basta que a narrativa seja lida, novamente, a partir da estratégia operativa do agente-escritor, e o texto ressuscita.

Isso é o básico. Não se trata nem de uma receita de bolo. Trata-se de um roteiro. É também na pragmática exegética que os nós se revelam, e são desvelados.

Isso que vim de dizer está, no desenho, representado pelo primeiro elemento estilizado: "realidade histórica". Trata-se do EVENTO. Ele é a única coisa absolutamente real e histórica, no que diz respeito à narrativa. Na condição de instrumento ideológico-retórico, a narrativa pode constituir-se por elementos redacionais imaginados. Seja a mais estapafúrdia fantasia isso que vai na narrativa, o EVENTO, constituído pelo conjunto da narrativa, quando então texto, mais seu(s) operador(es)-escritor(es) e mais seu(s) destinatário(s), é absolutamente histórico. É esse EVENTO a chave para a leitura histórico-social do texto. É necessário lê-lo aí, no EVENTO.

E esse é o problema da exegese. O que ela tem na mão, não é o EVENTO. Nem o texto. Texto seria, se a narrativa que o exegeta tem na mão viesse trazendo consigo, explicitamente, num capítulo do seu manual de leitura, o evento do qual e no qual ela emergiu. Não é assim que acontece. O que nos cai nas mãos são narrativas. É, cada uma, o que sobrou de seus respectivos acontecimentos históricos constitutivos. Todo o mais deles ficou no passado. Apenas a narrativa, subproduto e, ao mesmo tempo, substrato operacional do texto, chegou até o exegeta, na condição de vestígio, de indício. A narrativa é um ser arqueológico, enterrado não debaixo da terra, mas sob os escombros da História. Filha do Universo, histórico (cf. Prigogine), a narrativa é, também, histórica. Escondido pela História, o Universo e a narrativa esperam para serem observados - exumados.

Essa idéia tento ilustrar com o segundo elemento estilizado: a página em hebraico. É ela o que tem hoje o exegeta. Se vai lê-la histórico-socialmente, tem de re-inseri-la naquele EVENTO. Se não o fizer, falhou em sua missão. Se não tentar, sequer entendeu sua missão.

Nesse sentido, o erro mais comum na profissão exegética, a histórico-social, é render-se à narrativa. Quando a narrativa é tomada pelo EVENTO, pronto. Está perdido o trabalho. Qualquer outra coisa pode se fazer assim, e talvez seja até muito interessante, sob outros aspectos. Não estou dizendo que a única coisa legítima que se pode fazer com uma narrativa é lê-la histórico-socialmente. Pelo amor de Deus, não sou míope. Quer dizer, sou, mas só nos olhos. O que estou dizendo é que, se o exegeta é um exegeta histórico-social, diz-se haver outros tipos (isso já acho discutível - se é outra coisa que não leitura histórico-social de um texto, tenho dúvidas se o termo "exegeta" é adequado), repito: se o exegeta é um exegeta histórico-social, então, e não tem outro jeito, é minha compreensão profissional, o que ele tem de fazer é re-instalar a narrativa em seu EVENTO de origem. Em outras palavras: é transformar a narrativa que tem nas mãos, em texto, no texto que ele foi naquele dia.

Terá de usar a própria narrativa para isso. Sua missão é uma só: ouvir o texto dentro do EVENTO de que ele é parte constitutiva. Esse objetivo é constituído por etapas concomitantes e complexas. Concomitantes, porque são realizadas todas ao mesmo tempo, e, complexas, porque cada uma delas depende das outras, e, todas, em seu conjunto, dependem de cada uma, isoladamente, tanto quanto, cada uma, isoladamente, depende do conjunto. É um paradoxo da complexidade: para entender cada palavra, preciso do todo. Para entender o todo, de cada palavra. Não posso escolher por onde começo. Tenho que começar da parte e do todo, ao mesmo tempo, construindo, pouco a pouco, o todo, pelas partes, e identificando o sentido das partes, pelo todo que vou construindo.

A exegese é uma tarefa bastante difícil. Exige muita dedicação. Exige muita atenção. Exige incondicional condicionamento metodológico. Exige lucidez metodológica. Rigor absoluto consigo mesmo, com as armadilhas da ideologia pessoal. Menos do que isso não é digno da tarefa. Nem exegese.



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Esse é pra vc que deseja vasculhar um ambiente inesperado...

Sempre li a Bíblia, mas de um tempo pra cá, ela deixou de ser um mero livro e passou a ser objeto de investigação. O desejo de redescobrir e de me reencontrar na bíblia, não foi atoa, foi um encontro com pessoas especiais, que demonstraram que a forma como lia, ou melhor, os óculos que eu usava não conseguia enxergar profundamente o que desejava, com isso, iniciei uma caminhada e quem quiser ir comigo pode subir e apertar bem o cinto. Em breve postarei textos meus, de professores, de exegetas e textos acadêmicos que falam da bíblia, que dialogam com a cultura, com abordagem séria numa pesquisa histórico-critica e sociológica. Venha, e vamos reencontrar a palavra de Deus.